SOLIS

 




Não lembro há quanto tempo o sol me acorda aquecendo meu rosto. Deixo a janela sem cortinas propositalmente para que os raios solares a atravessem e me façam lembrar imediatamente de que é possível fazer as pazes com a rotina. 

Sim, eu fiz um pacto com a estrela central do nosso sistema planetário para que ela me desperte e não me deixe padecer diante da realidade que me assusta. Por mais que os dias pareçam iguais, ela me fez e ainda faz dar atenção as mínimas coisas do cotidiano que sempre estiveram presentes, mas agora me saltam aos olhos.

Criamos uma íntima e linda relação. Sim, prefiro chamá-la de estrela e tratá-la no feminino.

Ela tem me contado como é estar por muito tempo no mesmo lugar e nunca ter perdido a vitalidade, dar atenção aos dois lados do globo terrestre e garantir a nossa sobrevivência. 

Deve ser por isso que é aplaudida quando está a se despedir.

Quando a noite chega e ela segue a cuidar de outros, durmo sem demora para que o amanhã chegue depressa e possamos ter uma nova conversa cheia de afetos e ensinamentos. 

O despertar, o estar desperta. Uma amizade antiga e recém fortalecida. Uma conexão profunda, diurna e diária.

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